Sing the World Awake!

Sing the World Awake – by Karen Seva
Vibrations for Global Transformation

http://thespiritscience.net/2014/11/30/waking-up-the-world-with-music/

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Manhattan

Imagem

Estávamos na segunda quinzena de junho, o calor intenso logo pela manhã me fazia, mais do que nunca, querer estar sob o ar condicionado da minha sala na clínica de psicologia. A caminho do prédio, recebo uma ligação de Doroth, minha secretária. Sua voz estava trêmula e apavorada.

_ Alô! O doutor já está a caminho da clínica?

_ Sim, Doroth, aconteceu alguma coisa?

_ O senhor não vai acreditar, venha o mais rápido que puder!

_ Doroth, acalme-se e me diga o que houve! – antes que eu pudesse completar a frase, o telefone do outro lado da linha foi desligado.

 – Rua Mott, 280 – Clínica Especializada em Psicologia Infantil –

Este endereço era o responsável por reconstruir e destruir diversos lares. Não seria diferente nesta manhã.

Já próximo ao prédio me deparei com algumas viaturas, uma grande movimentação de policiais e fitas isolando o hall de entrada do prédio. Ao me aproximar, procurei por Doroth entre as dezenas de pessoas que estavam por ali. Sem sucesso, desviei de alguns fotógrafos da imprensa e fui de encontro ao detetive Johnson.

_ Detetive, o que houve?

_ Olá, doutor. Como vai?

_ Ainda não arrisco responder a essa pergunta. O que aconteceu aqui?

_ Acompanhe-me. – disse enquanto entrava na porta principal do prédio.

Já no elevador, o detetive Johnson prosseguiu.

_ Sua secretária nos ligou hoje cedo dizendo que havia encontrado o corpo de um dos psicólogos de sua clínica morto no escritório. Tudo indica que foi acerto de contas, nada foi roubado, ainda estamos investigando – fez algumas anotações na prancheta que segurava.

Ao chegarmos ao primeiro andar, caminhamos até a porta do escritório que trabalhávamos.

_ Posso fazer algumas perguntas sobre a vítima?

_ Claro.

_ Qual sua relação com a vítima, o Dr. Olsen? – disse o detetive Johnson enquanto um filme passava pela minha cabeça.

O psicólogo que vi deitado, sem vida, ao lado de papéis esparramados pelo chão era mais do que um colega de trabalho. O psicólogo encontrado morto naquela manhã era um grande amigo. O psicólogo que ainda vestia sua camisa branca preferida que agora estava marcada com o vermelho de seu próprio sangue era meu irmão.

Olsen vivia sozinho no condado de Bronx, subúrbio de Nova York, desde que a esposa tinha o deixado. Crescemos juntos, estudamos juntos e trabalhávamos juntos. Éramos sócios de uma clínica especializada em psicologia infantil. Depois que sua esposa o abandonou, Olsen confiou a mim o tratamento psicológico de sua filha, que vinha sofrendo muito com a separação dos pais.

As terapias com sua filha me fizeram perceber que ela poderia vir a ser uma agente em potencial para o nosso outro ramo de negócios, sem que seu pai soubesse, é claro. Sua personalidade, sua frieza, até os pequenos traumas de infância eram características valiosas para que os serviços fossem bem executados. Se lapidadas, essas características fariam dela minha melhor agente. Faltava apenas despertar a frieza e o descaso pela vida humana, e parte disso tinha acabado de acontecer.

_ Trabalhávamos juntos. – respondi.

Este assassinato nunca foi solucionado. Sem pistas, sem testemunhas, algo muito bem planejado. Confesso ter um dom peculiar para escolher meus agentes.

Para garantir o sigilo das informações, nenhum dos meus agentes me conhece ou se conhecem entre si. Neste ramo de negócios, temos que desconfiar até de nosso melhor amigo.

Algumas semanas antes da morte de Olsen, estava no escritório da clínica quando recebi uma encomenda de assassinato. O nome da vítima me intrigou profundamente, quase tanto quanto nome do contratante do serviço. Era um alvo de alto risco. Não pensei duas vezes e passei o serviço para a minha melhor agente, a senhorita Richardt. Isso certamente iria render alguma diversão. Para mim, é claro.

As semanas seguintes foram de muito trabalho. Inúmeros telefonemas, telegramas, mensagens, porém, tudo era necessário, tudo valeria a pena.

Já começava a anoitecer. Arrumei minhas coisas, olhei em minha agenda para me certificar do último compromisso do dia, o mais importante dos últimos anos. Certifiquei-me. Desci pelas escadas para ser mais discreto, eram apenas dois andares. Entrei em meu carro e dirigi por aproximadamente 25 minutos, até o condado de Queens.

Rua 172nd, 24 – Condado de Queens

Estacionei meu carro em frente a uma linda casa de tijolos marrons e janelas brancas. Uma grande árvore na calçada tomava toda a fachada da casa. Eram dois andares, sobre a garagem havia uma grande sacada que dava para o quarto principal. Estava tudo exatamente como eu tinha visto há alguns anos. Escalei até a sacada silenciosamente usando o muro do vizinho como apoio. Encontrei um pouco mais de dificuldade do que na primeira vez. Os anos, assim como o cabelo grisalho começavam a pesar.

Já na sacada, encontrei um abrigo seguro atrás de uma mesa e suas cadeiras. Aquilo não iria demorar muito.

Cerca de uma hora de espera, a luz do quarto se acendeu. O momento tão esperado tinha chegado. Da sacada, através da cortina, pude ver claramente os seus movimentos. Ela colocou a bolsa sobre a cama, tirou o suéter e colocou sobre o mezanino. Estava elegante como sempre.

Lembrou-se do envelope. Pegou novamente a bolsa, abriu um pouco mais rápido do que de costume. Retirou o envelope ainda lacrado. Agora, seu rosto de perfil estava cuidadosamente centralizado na mira. Até agora, tudo tinha ocorrido como planejado. Esperei pelo momento certo. Ela abriu o envelope, retirou a ficha bem devagar. Começou a ler, muito bem, pude perceber os traços de seu rosto relaxando lentamente. Mal sabia ela que este tempo todo fora engada.

Enfim, soltou um sorriso de satisfação, não poderia ser diferente, ela estava adorando tudo aquilo, quase tanto quanto eu. Muito bem, agora não havia mais tempo, efetuei o disparo.

O tiro saiu pelo cano da arma e foi de encontro ao rosto da vítima, abrindo um pequeno buraco em sua têmpora, do lado direito de sua cabeça. Assim que o corpo caiu no chão caminhei até ele, não pretendia perder muito tempo com aquilo, por isso degustava cada momento com a pressa que a profissão exigia.

Antes de deixar a casa, pensei ter ouvido um barulho no quarto ao lado. Caminhei pelo corredor e parei na porta do quarto. Apenas uma cama desarrumada. Alguém teria uma surpresa pela manhã, ou melhor, duas.

Os dias seguintes seriam repletos de depoimentos e visitas dos policiais, eu já sabia disso, isso já ocorrera outras vezes, precisava apenas do meu profissionalismo.

Dirigi de volta até uma das filiais da clínica. Estacionei meu carro e subi até o consultório, precisava atualizar algumas fichas e riscar da lista algumas vítimas já executadas. Deixei minha pasta sobre a mesa, retirei o sobretudo. Peguei novamente a pasta, retirei alguns envelopes e lá estava ele. Já fazia algum tempo que eu não tinha o prazer de ver meu próprio nome como agente executor em um dossiê. Abri com cuidado, enfim o serviço estava feito. Retirei a ficha e li com satisfação:

VÍTIMA: Emily Richardt.

AGENTE EXECUTOR: Julian Olsen.

CONTRATANTE DO SERVIÇO: Julian Olsen.

Tentei conter o sorriso de satisfação, não consegui.

Sorri.

Continuação – Siga para Queens:

Se ela perguntar – Queens

Hoje comemoramos 1 ano


Do terceiro dia do mês de abril
Alguns segundos serão sempre lembrados.
Houve um intervalo antes da resposta,
Enfim o “sim”, o vocábulo esperado.
Uma pessoa especial passou a ser protagonista
De um espetáculo que até então
Não imaginava em minha vida.
Alguém sempre à disposição
para conversas infinitas,
Seja noite ou seja dia,
Na ordem ou na anarquia.
Na convivência aprendemos
Qualidades e defeitos,
Pois de paciência ela precisa
Quando o cônjuge escolhido,
Que despercebe o perigo,
É tranquilo em demasia.
Mas como retribuo tudo isso?
Sinceramente, eu não consigo
Pensar em nada equivalente
Ao carinho recebido.
Numa data especial,
Fica ainda mais difícil
E mesmo com empenho,
Meu presente fica aquém
De todo o seu companheirismo.
E quem sabe, em alguns anos,
Um bebê terá nascido,
É incrível imaginar
Como será o nosso filho.
Imagino uma menina
De bochechas dilatadas
Que cai às vezes na piscina
E seu nome será Lara.
Porém, se for menino,
Será quieto e educado.
Tocará piano ou violino
E seu nome será Lauro.

Water Song

Texto: Isadora Gengis Khan
Música: Will

Fazia uma tarde linda. Praticamente não havia nuvens no céu. Naquela ponte, sobre o rio que dividia a cidade, caminhava uma garota que, agora, subia lentamente em seu batente. Com cuidado, equilibrando-se, ficou finalmente em pé. Tinha um sorriso malicioso no rosto, como o de alguém que sabe de algo que você e eu não sabemos.

Virou-se cautelosa a fim de caminhar por sobre o batente. Agia como se fosse uma criança, nova demais para entender o real perigo de sua aventura, mas, ao mesmo tempo, caminhando com aquele andar infantilmente cuidadoso: um pé, depois o outro; os braços garantindo-lhe o equilíbrio. Os carros passavam apressados, sem dar importância à jovem que flertava com o desastre. Junto ao Sol, esgotavam-se também as horas de um dia de trabalho e o número de carros que atravessavam a ponte aumentava mais e mais. Um pé, depois o outro.

Ao chegar ao final ela virou-se na direção do rio. Com os olhos, percorreu seu curso debaixo de seus pés até a linha do horizonte, onde o Sol mergulhava na água, tingindo um lindíssimo céu de baunilha. Um ignorado à ignorada. Um esquecido à esquecida. Um abandonado à abandonada.

Havia tanto barulho! Buzinas, sirenes, pessoas, vida, muita vida! Vida demais… Olhando brevemente ao redor, a garota parecia finalmente sair de seu transe infantil e voltar para aquela realidade barulhenta, borrando seu sorriso audaz e umedecendo seus olhos numa expressão uníssona de irritabilidade e pavor.

As buzinas ficavam mais insistentes, as sirenes mais próximas, as vozes mais altas, os gritos, os passos, os risos… Desejava que alguém a viesse salvar, que a abraçasse por trás, a tirasse dali prometendo cuidados e proteção, prometendo levá-la para longe. Ninguém viria… Ela fechou os olhos. Apertou-os bem. Uma lágrima de cada olho correu por seu rosto até cair lá em baixo, misturando-se a água doce do rio. Franziu o cenho e inclinou levemente a cabeça para a direita.

Abriu os olhos obstinados na direção do Sol que agora já quase não estava mais ali. Desceu-os até encarar seus pés sobre toda aquela água. Em um impulso, pequeno demais para ser notado, empurrou seu corpo para frente abrindo os braços como se pretendesse vencer a gravidade e voar, ascender…

O barulho da cidade em vida foi obliterado pelo som do ar correndo rápido demais pelos seus ouvidos. Quase não conseguia abrir os olhos e piscava freneticamente. O rio aproximava-se. O coração acelerava-se.

Mergulho!

Silêncio. Tudo ficou em pleno e puro silêncio. Ao seu redor havia o nada. Lindo em seu infinito. Seu corpo, leve devido à imersão. Como era bom estar ali. Sentia-se no útero da Terra. Sentia-se em paz. Ali ficou, degustando cada segundo daquela liberdade. Foi, então, que o silêncio profundo foi quebrado por um som, em princípio longe e abafado, depois mais alto e nítido. Música. Uma voz morna – ou, talvez, mais de uma – cantando, sussurrando uma doce canção que cingiu todo seu corpo. Tentou olhar ao redor para entender de onde tal balada régia vinha, mas desistiu rapidamente, quis apenas fechar os olhos e deleitar-se com o momento. Ali ficou, submersa; em paz; até não restar nada, nem mesmo vida.

Isadora Zemgeski

A carta

Já começava a chover quando avistei uma marquise logo na próxima esquina. Apurei o passo, mas não pude evitar que o céu desabasse em água faltando ainda meio quarteirão.

Eram três da tarde. O dia cinza retratava os clássicos filmes de cinema mudo. As nuvens carregadas, como um maestro, regiam o acender sincronizado dos postes na avenida. Os carros, já com os faróis acesos, circulavam numa velocidade de passeio. Toda a pressa costumeira do cotidiano se concentrava, agora, nos transeuntes que fugiam da chuva.

Chegando à marquise, desviei de algumas pessoas que também esperavam pela trégua da chuva e encontrei um lugar próximo a uma bicicleta antiga encostada no telefone público. Saquei o envelope que tinha escondido debaixo do sobretudo e me certifiquei de que ainda estava seco.

__ Isso é uma carta? – perguntou uma voz quase encoberta pelo barulho da água que escorria por uma calha a poucos metros. Continue lendo ‘A carta’

10 Anos

Música: Czardas
Piano: Will

Antecipa-se a todos, entra na igreja e vai em direção ao altar. Ao meio do
caminho, com fortes dores no peito, tenta se escorar em um dos bancos.
Sem forças, cai entre eles. Pessoas que estavam por perto tentam ajudar.
Paramédicos são chamados, procedimentos de primeiros-socorros para um
infarto fulminante são feitos. Tarde demais.
A mente brilhante se apaga.
O coração se cala…

10 anos.
Um dia, uma semana, um mês, depois, um ano…
Há muitas coisas que podem ser feitas em 1 ano.
Tirar carteira de habilitação, um trabalho de diplomação.
Conheci uma pessoa que, em 1 ano, fez tudo o que podia ser feito para se
manter perto da família. Ainda arrisco dizer que fez isso pensando mais na
esposa e filhos do que nele próprio. Esta pessoa já tinha passado por várias
coisas em diversos “1 ano” de sua vida, mais exatos, 50 deles. Continue lendo ’10 Anos’

Implícito

Texto: Rafeolla Faela
Música: Valsa – Will Silva

Implícito

Denso, forte
quem sabe fugaz.
Pode suspender a morte,
sua beleza é ele quem faz.

Sedutor ou atraente
dizem ser peculiar.
Desperta o desejo ardente,
que talvez não se possa provar.

Claro ou escuro,
há hipótese a se levantar.
Sua resposta está atrás do muro,
somente assim se deixará avistar.

Quem sabe justamente por ser raro,
oblíquo e diagonal.
Fico com o claro,
o claro enigma irracional.

Rafaella Ribeiro Feola


Chronos

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